“Projeto de Lei propõe ampliar a segurança
de mulheres no turismo e revela desafios estruturais para destinos”
@Pixels
O turismo global passa por uma transformação relevante: as mulheres deixaram de ser apenas parte do público viajante para se tornarem protagonistas das decisões de viagem. Elas influenciam destinos, definem roteiros e, cada vez mais, viajam sozinhas.
Esta mudança, que reposiciona
prioridades dentro do turismo, ocorre em um contexto mais amplo, onde o debate
sobre segurança ganha urgência diante do aumento dos casos de violência contra
a mulher no país. Assim, a forma como destinos e empresas respondem a essa
realidade passa a ter impacto direto na percepção e na escolha das viajantes.
Em um setor que movimentou no
total mais de R$ 228 bilhões no Brasil em 2025, segundo levantamento da
FecomercioSP, e cerca de US$ 11,7 trilhões no mundo, de acordo com a World
Travel & Tourism Council (WTTC), a segurança das turistas deixa de ser
apenas um tema social e passa a integrar a agenda estratégica do turismo, já
que a percepção de risco pode influenciar desde a escolha do destino até o
tempo de permanência e a experiência como um todo.
É neste contexto que ganha
relevância a aprovação, no Senado, do Projeto de Lei nº 3.050/2025, de autoria
da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB). A proposta cria medidas de combate à
violência contra as mulheres no turismo e amplia a responsabilidade do setor
sobre a segurança ao longo de toda a jornada da viajante. O texto prevê a
capacitação de profissionais para garantir a segurança, a criação de estruturas
de atendimento em áreas turísticas, o uso de tecnologias de alerta em
transportes e a aplicação de penalidades para quem não colaborar com as normas
estabelecidas.
A iniciativa, que segue para
análise na Câmara dos Deputados, dialoga com uma tendência onde segurança não é
diferencial, mas premissa. Proteger mulheres não é só uma resposta a um
problema social urgente: é uma exigência para que destinos e empresas se mantenham
relevantes, competitivos e economicamente sustentáveis.
Se o setor pretende preservar
seu papel na economia nacional, ignorar esse movimento significa desconsiderar
um público que representa metade da população e que, quando não viaja sozinha
ou apenas na companhia de amigas, exerce influência direta na decisão de
viagens familiares e também corporativas. Em um mercado cada vez mais orientado
pelo comportamento do consumidor, essa não é uma escolha sem consequência.
Texto de Thais Medina
Jornalista e Master Coach, com MBAs em Marketing (FGV), Gestão Estratégica (USP) e Gestão de Empresas com técnicas de Coaching (SBC), estudou Management na University of Ohio.

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