terça-feira, 9 de junho de 2026

Maior evento de Indicação Geográfica do país começa amanhã (10))

Connection Terroirs do Brasil reunirá mais de 50 produtores certificados pelo INPI”


De 10 a 13 de junho, Gramado  se transforma na maior vitrine de produtos com certificação de  origem do Brasil.O Connection Terroirs do Brasil chega à sua nona edição com o objetivo de valorizar e fomentar a comercialização dos produtos brasileiros reconhecidos com Indicação Geografica  Geográfica (IG) – um selo concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que atesta a qualidade e a identidade de produtos ligados ao seu território de origem

Com o tema “feito com alma, a muitas mãos” o Connection Terroirs do Brasil realiza sua edição 2026 no centro da cidade da cidade de Gramado, com programação distribuída entre o Palácio dos Festivais, Rua Coberta, Rua Pedro Benetti (ao lado da Igreja Matriz São Pedro) e a Sociedade Recreio Gramadense.

O evento reforça a essência coletiva que caracteriza os produtos com Indicação Geográfica - resultado do saber-fazer compartilhado entre gerações, territórios e comunidades. A realização é da Rossi & Zorzanello, com correalização do Sebrae, parceiro estratégico no fortalecimento das IGs brasileiras. 

Uma palestra imperdível - Sustentabilidade e Agregação de Valores 

Araceli Ramos Rosaldo é reconhecida como a "Embaixadora do Tequila" e uma das figuras mais influentes na transformação da cidade de Tequila, no estado de Jalisco, México. Atuando há mais de 25 anos como Diretora de Promoção e Relações Públicas da Jose Cuervo (a produtora de tequila mais antiga do mundo), ela liderou a mudança que transformou uma pacata cidade industrial em um dos destinos turísticos e culturais mais consolidados do México.

A palestra de Araceli parte de um conceito central. Produto de origem não é apenas produto. É narrativa.

Ao longo de sua trajetória, a executiva liderou estratégias globais de promoção, relações públicas e posicionamento cultural da tequila. O resultado é um dos exemplos mais consolidados de como transformar tradição em ativo econômico.

No evento, o tema “coloca essa experiência em perspectiva para o mercado brasileiro. A tequila aparece como referência. Um produto que ultrapassou o consumo e se tornou símbolo cultural.

"Levo o México tatuado na alma... o tequila é patrimônio, é paciência, mas, mais do que tudo, é o resultado do trabalho duro de mãos mexicanas." — Araceli Ramos

Como aconteceu a  Criação do "Mundo Cuervo"

No início dos anos 2000, Araceli percebeu que muitos turistas viajavam até as destilarias locais apenas para fazer perguntas rápidas na porta e iam embora. Ela teve a visão de que os visitantes deveriam vivenciar a cultura da tequila de forma imersiva

Ela delineou e apresentou o projeto do Mundo Cuervo a Don Juan Beckmann (CEO da Jose Cuervo). Inaugurado em 2003, o complexo transformou a destilaria em um centro de experiências com visitas guiadas detalhadas, degustações profissionais, lojas de conveniência, restaurantes e espaços culturais.

Desenvolvimento da "Rota do Tequila" e Inclusão Comunitária

Diante do crescimento do Mundo Cuervo, surgiu o receio na comunidade de que a grande corporação "compraria a cidade".  Araceli combateu isso integrando a população local diretamente na cadeia de turismo:

Capacitação local: Ela articulou parcerias com a Universidade de Guadalajara (UDG) para criar cursos técnicos, profissionalizando os habitantes em diferentes ofícios voltados à hospitalidade.

Fomento ao pequeno comércio: A estratégia liderada por ela garantiu que pequenos negócios, artesãos e até famílias locais (que passaram a receber turistas em suas casas) fossem incluídos na chamada Rota do Tequila, descentralizando a economia e gerando emprego para milhares de moradores.

Nas décadas de 1970 e 1980, o tequila era frequentemente visto fora do México como uma bebida barata de "tiro" (shot) para festas universitárias desenfreadas. Araceli Ramos trabalhou incansavelmente para mudar essa percepção globalmente:

A Rota de Tequila, promoveu o bebida como um ativo cultural, de origem e sofisticação, comparável ao Champagne na França ou ao Scotch na Escócia.

Ao viajar pelo mundo educando bartenders, especialistas e a imprensa sobre a paciência do cultivo do agave e a herança histórica do processo, Araceli elevou o valor de mercado do produto, o que impactou diretamente a economia interna da cidade de Tequila (onde cerca de 80% da população depende direta ou indiretamente dessa indústria).

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